Glossário de Yoga: os termos que precisas de conhecer
Se já ficaste perdido numa aula quando o professor disse “Adho Mukha Svanasana” — este guia é para ti. Os termos mais usados no Yoga, explicados em português, de forma clara e direta.
O Yoga tem um vocabulário próprio, maioritariamente em sânscrito — a língua clássica indiana em que os textos originais de Yoga foram escritos. Quando começas a praticar, esses termos podem parecer intimidantes. Com o tempo, tornam-se parte natural da prática e abrem uma porta para uma compreensão mais profunda do que estás a fazer — e porquê.
Este glossário reúne os termos mais usados em aulas e formações de Yoga, organizados por área, para que possas consultar sempre que precisares.
Porquê usar termos em Sânscrito no Yoga?
O sânscrito é a língua em que foram escritos os Yoga Sutras de Patanjali, a Bhagavad Gita e o Hatha Yoga Pradipika — os textos clássicos que fundamentam a prática do Yoga. Muitos professores e escolas mantêm os termos originais por respeito à tradição e para garantir consistência entre países e estilos. Um “Trikonasana” é o mesmo em Lisboa, em Londres ou em Mumbai.
Dito isso, não precisas de falar sânscrito para praticar Yoga. Podes ter uma prática profunda e transformadora sem dominar um único termo. O que estes termos te oferecem é uma camada adicional de compreensão — e uma ligação à raiz histórica e filosófica da prática.
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Posturas — Asanas
Asana
Postura física de Yoga. É o terceiro dos oito membros do Yoga segundo Patanjali. Quando falas de “fazer yoga”, na maioria dos casos estás a referir-te à prática de asanas. O objetivo de um asana não é apenas físico — é criar estabilidade e conforto no corpo para que a mente se possa aquietar.
Adho Mukha Svanasana
Postura do Cão com o Focinho para Baixo. Uma das posturas mais reconhecíveis do Yoga — corpo em forma de V invertido, pés e mãos no chão, ancas elevadas. É ao mesmo tempo uma postura de força, flexibilidade e repouso.
Savasana
Postura do Cadáver. A posição deitada no final de cada aula, com o corpo completamente imóvel e relaxado. Considerada por muitos professores como a postura mais difícil — porque requer abandono total e presença plena, sem adormeceres.
Vinyasa
Sequência de movimentos sincronizados com a respiração. No seu sentido mais estrito, refere-se à sequência Prancha → Chaturanga → Cão com o Focinho para Cima → Cão com o Focinho para Baixo. Também é um estilo de Yoga dinâmico onde as posturas fluem de uma para a outra continuamente.
Trikonasana
Postura do Triângulo. Uma das posturas fundamentais do Yoga, que trabalha a extensão lateral do tronco, a abertura da anca e o equilíbrio. O nome vem de “trikona” (triângulo) e “asana” (postura).
Respiração — Pranayama
Pranayama é o controlo e regulação da respiração. “Prana” significa energia vital, e “ayama” significa extensão ou controlo. É o quarto dos oito membros do Yoga segundo Patanjali e uma das práticas mais poderosas para regular o sistema nervoso.
- Nadi Shodhana — Respiração alternada pelas narinas. Equilibra os dois hemisférios do cérebro e acalma o sistema nervoso. Excelente para momentos de ansiedade ou antes de meditar.
- Kapalabhati — Respiração do fogo. Exalações curtas e fortes pelo nariz, com inalações passivas. Ativa e energiza o corpo, limpa os pulmões e aquece a prática.
- Ujjayi — Respiração vitoriosa. Respiração pelo nariz com uma ligeira constrição na garganta, produzindo um som suave e contínuo. É a respiração base em muitos estilos de Yoga dinâmico.
- Bhramari — Respiração da abelha. Exalação com um zumbido suave, como o som de uma abelha. Muito calmante, especialmente para ansiedade e insónia.
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Filosofia e Ética
Ahimsa
Não-violência. É o primeiro dos Yamas (princípios éticos do Yoga) e aplica-se às ações, palavras e pensamentos — em relação a si próprio e aos outros. No contexto da prática física, ahimsa é respeitar os limites do teu corpo sem forçar além do que é seguro.
Satya
Verdade. O segundo Yama, que nos convida a ser honestos em todas as dimensões da vida — com os outros, mas sobretudo connosco próprios. Na prática, satya é a honestidade com que reconheces onde realmente estás — sem fingir que és mais ou menos do que és.
Karma
Lei de causa e efeito. As ações que tomamos — físicas, verbais e mentais — geram consequências. Não é um sistema de punição e recompensa, mas uma lei natural: o que semeamos, colhemos.
Dharma
Propósito de vida, dever ou caminho correto. No contexto do Yoga, é frequentemente explorado como a missão ou o papel que cada pessoa tem no mundo. Viver de acordo com o teu dharma é viver em alinhamento com o teu propósito mais profundo.
Ahankara
O ego ou o “eu” individual. No Yoga, o ahankara é a identificação com o corpo, os pensamentos e as emoções como se fossem o que somos. Grande parte da prática de meditação e filosofia de Yoga é um trabalho de observar e questionar essa identificação.
Termos usados em aula
- Namaste — Saudação utilizada no início e no fim das aulas. Significa aproximadamente “a luz que existe em mim reconhece a luz que existe em ti.” Acompanhado pelo Anjali Mudra (palmas juntas no coração).
- Drishti — Ponto focal do olhar durante a prática. Ajuda a manter a concentração e o equilíbrio nas posturas.
- Mantra — Palavra ou frase repetida durante a meditação. O mantra mais conhecido é “Om” (ou “Aum”), considerado o som primordial do universo.
- Mudra — Gestos simbólicos feitos com as mãos ou o corpo. O Anjali Mudra (palmas juntas no coração) é o mais comum nas aulas ocidentais.
- Bandha — Bloqueio energético ou contração muscular interna. Os três principais são Mula Bandha (períneo), Uddiyana Bandha (abdómen) e Jalandhara Bandha (garganta).
- Chakra — Centros de energia no corpo, segundo a filosofia tântrica. Existem sete chakras principais, alinhados ao longo da coluna vertebral, cada um associado a qualidades emocionais e físicas específicas.
- Yoga Nidra — “Sono do Yoga.” Um estado de consciência entre o sono e a vigília, utilizado para relaxamento profundo e meditação guiada. Muito eficaz para descanso e processamento emocional.
O vocabulário do Yoga não é um teste a passar — é uma linguagem que se vai aprendendo com a prática, com calma, ao ritmo de cada um.
Perguntas frequentes sobre terminologia de Yoga
É obrigatório aprender sânscrito para praticar Yoga?
Não. Podes ter uma prática profunda e significativa sem falar uma palavra de sânscrito. No entanto, conhecer os termos principais ajuda a entender as instruções do professor, a seguir aulas em diferentes países e estilos, e a aprofundar o estudo do Yoga além da prática física.
Os termos de Yoga são iguais em todos os estilos?
Os termos em sânscrito são transversais à maioria dos estilos, mas cada escola tem as suas ênfases. O Ashtanga usa uma sequência fixa com nomes específicos; o Iyengar é muito preciso na nomenclatura de alinhamento; o Kundalini tem terminologia própria ligada à energia e aos chakras. O essencial é comum — o detalhe varia.
Nas formações da BeYoga ensinam filosofia e o significado dos termos?
Sim. Nas formações de professores de Yoga da BeYoga, a filosofia, o sânscrito e o vocabulário fazem parte integrante do currículo — não apenas a prática física. O objetivo é que os formandos compreendam o Yoga de forma completa e possam transmiti-lo com profundidade e autenticidade.
O que é o Om e porque se canta no início ou fim das aulas?
“Om” (ou “Aum”) é considerado o mantra primordial — o som que representa a vibração fundamental do universo, segundo a filosofia védica. Cantá-lo no início ou no fim de uma aula é uma forma de criar coesão no grupo, sinalizar a transição para o espaço da prática e ligar a sessão à tradição do Yoga. Não é obrigatório e não tem conotação religiosa — é uma prática contemplativa.
O que são os Yamas e os Niyamas?
Os Yamas são os princípios éticos do Yoga em relação ao mundo exterior (não-violência, verdade, não roubar, moderação, não apego). Os Niyamas são os princípios de disciplina pessoal (limpeza, contentamento, esforço disciplinado, autoestudo, entrega). Juntos, formam os dois primeiros dos oito membros do Yoga de Patanjali — a base ética sobre a qual tudo o resto assenta.
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Na formação de professores da BeYoga, a filosofia, o sânscrito e a prática são explorados com profundidade e acompanhamento real — em Lisboa, Porto ou online.